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›› AGRESSIVIDADE VERBAL


 

Não há um só aspecto da natureza humana que não tenha recebido a atenção de Jesus, durante o tempo que conviveu entre nós, seja através de parábolas, de figuras alegóricas ou de ensinos objetivos. Um desses aspectos, tanto daqueles tempos como nos de hoje, refere-se à agressividade verbal, que Jesus classificou como falta grave.

Entre os antigos judeus, quando se desejava insultar alguém, havia um costume que consistia em pronunciar a palavra reika ( em hebraico: fútil, leviano), virando-se a cabeça de lado e cuspindo-se no chão. Tal hábito teria sido tão comum que Jesus se referiu a ele no Sermão do Monte, o que comprova a gravidade dessa atitude. Essa passagem é bastante conhecida de todos:

Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra o seu irmão será réu em juízo; e quem disser a seu irmão raça, será réu diante do Sinédrio; e o que lhe disser tolo, será réu do fogo do inferno.” (Mateus, 5:22).

Para efeito de comparação, vejamos o mesmo trecho no original em hebraico:

E eu vos digo: quem abomina sem razão o seu irmão, será dado em julgamento; e o que chama seu irmão de fútil ou leviano, será levado ao tribunal; e quem o chama de infame, vil ou canalha, cairá no fogo da Geena.”

Esse versículo apresenta três advertências, em níveis diferentes, sobre a questão da agressividade verbal:

  1. Todo aquele que se encolerizar contra seu irmão será réu em juízo.

Antes da explosão verbal contra alguém, o sentimento de ódio está em nosso íntimo. Ao dizer que esse alguém será réu de juízo, Jesus se referia ao julgamento da nossa própria consciência. Enquanto não externarmos esse sentimento agressivo, ainda haverá tempo para analisar os motivos que nos levaram a essa animosidade; com isso, surge a possibilidade de recuperarmos o autocontrole. Notemos que Ele condenou até mesmo esse sentimento, ainda que não tenha ocorrido sua manifestação.

  1. 2.      O que chama seu irmão de fútil ou leviano será levado ao tribunal.

Quando nos encolerizamos contra alguém, geralmente antes de nos dirigirmos diretamente a essa pessoa, costumamos comentar, com os que nos são próximos, nossas emoções desencontradas. Nesse momento, às vezes, externamos nossa cólera, utilizando palavras depreciativas contra esse alguém. No entanto, embora não estejamos diante da pessoa em questão, nossas palavras ofensivas serão analisadas por aqueles que nos ouvem, os quais, por sua vez, irão avaliar nossa atitude, podendo ou não compartilhar conosco as mesmas impressões negativas. O tribunal a que Jesus se refere é o Sinédrio, e os judeus sabiam o que significava estar diante desse Conselho, na condição de réu…

  1. E quem o chama de infame, vil ou canalha, cairá no fogo da Geena.

Nesse último trecho, temos o enfrentamento verbal, propriamente dito, externado com palavras agressivas. Essa atitude é a que recebe a condenação maior: o fogo da Geena (ou fogo do inferno). Notemos que, nessa situação, não há a possibilidade de nenhum julgamento; a condenação é imediata. Os judeus sabiam que ser condenado à Geena equivalia a receber uma sentença de morte. Geena era o nome dado a um vale, nas redondezas de Jerusalém, onde os romanos realizavam a crucificação de condenados.

Nesse versículo, nota-se que há uma ascensão de atos: primeiro, quando o sentimento da cólera surge em nosso íntimo; segundo, quando esse sentimento se exterioriza entre os que nos são próximos; terceiro, quando a cólera se extravasa, por meio de palavras agressivas e ofensivas, dirigidas contra quem nos indispomos.

Jesus condenou não somente o sentimento de ódio, mas também a sua exteriorização através das ofensas verbais. Ele quis mostrar que tais atitudes representam falta gravíssima quanto matar alguém. Se considerarmos que uma palavra ofensiva pode “matar” os bons sentimentos, as boas intenções, a boa vontade, a esperança, o respeito, a amizade e a alegria, que devem existir em nossos relacionamentos, compreende-se a razão de um castigo tão severo.

Apesar dessas recomendações, os homens daqueles tempos (e os de hoje também!) não deixaram de lado tais práticas. Encontramos, nas recomendações dos apóstolos, vários conselhos nesse sentido. Pedro, na sua primeira epístola dizia: “Quem quer amar a vida e ver os dias felizes, refreie sua língua do mal”. ( I Pedro, 3:10). E Paulo alertava: “Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação.” (Efésios, 4:29).

Jesus não enfatiza, ao recebermos ou praticarmos tal tratamento, se nos sentimos magoados, aborrecidos ou zangados, se fomos ou não prejudicados, se a razão está do nosso lado ou por quanto tempo vivenciamos tal desagrado. Ele simplesmente nos recomenda o que devemos fazer nessas situações, a fim de resguardarmos nosso equilíbrio íntimo. Nota-se, claramente, nessas circunstâncias, que o maior prejudicado somos nós mesmos.

Ainda é muito difícil seguir, à risca, tais ensinamentos. Quando nos aborrecemos com alguém, ao ponto de sentirmos raiva e até mesmo ódio, dificilmente nos lembramos dessas recomendações. Rapidamente perdemos o autocontrole e partimos para as agressões verbais, normalmente através de palavrões ou palavras ofensivas.

Infelizmente, o uso corriqueiro de palavrões, não apenas nos momentos de descontrole emocional, mas fazendo parte da nossa maneira de nos expressar, tornou-se uma prática comum. Para muitos, representa até um “status”, principalmente entre os jovens. Encontramos famílias onde os adultos se divertem ensinando palavrões aos filhos pequenos, os quais repetem sem terem a menor idéia do que estão falando.

Jesus também alerta sobre as conseqüências dos gestos e palavras agressivas: o sofrimento moral causado pela consciência culpada, simbolizada pelo “fogo do inferno” que cedo ou tarde, se manifestará naquele que os utiliza, não pelas palavras em si, pronunciadas em momentos de intensa exasperação, mas pelos sentimentos menos felizes que nos dominam nesses instantes. Quantas vezes nos sentimos envergonhados diante dos outros, e de nós mesmos, depois desses momentos de descontrole! Externando nosso mundo íntimo por meio de ofensas verbais, demonstramos o quanto estamos descontrolados emocionalmente.

A palavra agressiva causa vibrações muito negativas ao nosso redor, espiritualmente falando, assemelhando-se a uma bomba que explode ruidosamente. E, muitas vezes, por causa dessas palavras, pronunciadas no ambiente onde nos encontramos, desequilibramos totalmente as possibilidades de harmonização, correndo o risco de alterarmos a estabilidade emocional daqueles que estão ao nosso redor, como num efeito dominó.

Somos tão cuidadosos em relação à higiene pessoal, à qualidade dos alimentos e da água, à limpeza de nossa casa, aos sistemas sanitários, aos medicamentos, etc. No entanto, geralmente nos esquecemos dos cuidados relativos à palavra falada. Pensemos no que gostaríamos de ouvir dos outros, em nossos momentos infelizes, antes de perdermos o equilíbrio próprio. Afinal, o maior prejudicado somos nós mesmos. Sobre essa grave questão, o Espírito Emmanuel, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, nos deixou valiosa advertência:

Controlemos o verbo, para que não venhamos a libertar essa ou aquela palavra torpe. Por muito esmerada nos seja a educação, a expressão repulsiva articulada por nossa língua é sempre uma brecha perigosa e infeliz, pela qual perigo e infelicidade nos ameaçam com desequilíbrio e perversão.”

Ainda pela abençoada psicografia de Chico Xavier, a doce benfeitora espiritual Meimei nos deixou uma mensagem intitulada “Oração diante da palavra”, que vale ser lembrada nos momentos em que estivermos à beira da agressão verbal:

Senhor! Deste-me a palavra por semente de luz. Auxilia-me a cultiva-la. Não me permitas envolve-la na sobra que projeto. Ensina-me a falar para que se faça o melhor.

Onde a irritação me procure, induze-me ao silêncio e, onde lavre o incêndio da incompreensão ou do ódio, dá que eu pronuncie a frase calmamente que possa apagar o fogo da ira.

Em qualquer conversação, inspira-me o conceito certo que se ajuste à edificação do bem, no momento exato, e faze-me vigilante para que o mal não me use, em louvor da perturbação.

Não me deixes emudecer, diante da verdade, mas conserva-me em Tua Prudência, a fim de que eu saiba dosar a verdade em amor, para que a compaixão e a esperança não esmoreçam, junto de mim.

Traze-me o coração ao raciocínio, sincero sem aspereza, brando sem preguiça, fraterno sem exigência e deixa, Senhor, que a minha palavra Te obedeça a vontade, hoje e sempre.”

 

MAROISA F. PELLEGRINI BAIO

 

(Artigo retirado integralmente da Revista Internacional de Espiritismo, página 251 – junho de 2012 – Ed. O Clarim – Matão – SP).

 

 

 

 

 

 

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