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›› O que é o Espiritismo


Nascimento:

A Doutrina Espírita, o Espiritismo na acepção da palavra, nasceu em 18 de abril de 1857,com a publicação, em Paris, do Livro dos Espíritos, código de uma nova fase da evolução humana.

Sobre o aludido livro se ergue todo um edifício, o da Doutrina Espírita. Ele é a pedra angular do Espiritismo, o seu marco inaugural. O Espiritismo surgiu com ele e com ele se propagou, com ele se impôs e consolidou no mundo. Antes deste livro não havia Espiritismo, e nem mesmo este vocábulo existia. Falava-se em Espiritualismo e Neo-Espiritualismo, de maneira geral, vaga e nebulosa. Importa observar que os fenômenos espíritas, que sempre existiram, eram interpretados das mais diversas maneiras. Contudo, depois que Kardec publicou tal obra, repositório dos “princípios da Doutrina Espírita”, uma nova luz brilhante e poderosa, passou a bafejar os horizontes mentais do mundo, permitindo a compreensão racional dos denominados fatos espíritas.

Codificação da Doutrina Espírita:

“O Livro dos Espíritos” é a pedra fundamental da Codificação. É o núcleo central e ao mesmo tempo o arcabouço geral da doutrina. Todas as demais obras de Kardec, que completam a codificação, partem do seu conteúdo, constituem desdobramentos de temas que dele constam.

Dentro da esquematização geral da codificação a parte que a ele corresponde é a que figura nos Livros I e II, até o capítulo quinto, ou seja, a que é tratada por ele com exclusividade.

Com respeito às demais obras, temos o seguinte:

1º) “O Livro dos Médiuns”, sequência natural do “Livro dos Espíritos”, que cuida especialmente da parte experimental da doutrina e tem a sua fonte no Livro II, a partir do capítulo sexto até o final. Toda a matéria contida nessa nessa parte do “Livro dos Espíritos” é reorganizada e ampliada no “Livro dos Médiuns”, notadamente o concernente ao capítulo nono, denominado “Intervenção dos Espíritos no mundo corpóreo.

2º) “O Evangelho Segundo o Espiritismo” decorre naturalmente do Livro III do “Livro dos Espíritos”, em que são estudadas as leis morais, focalizando especialmente a aplicação dos princípios de moral evangélica, assim como dos temas religiosos da adoração, da prece e da prática da caridade.

3º) “O Céu e o Inferno” decorre do Livro IV, “Esperanças e Consolações” do “Livro dos Espíritos”, em que são analisados os temas alusivos às penas e aos gozos terrenos e futuros, abarcando a discussão do dogma das penas eternas e de outros dogmas (ressurreição da carne, paraíso, inferno e purgatório).

4º) A Gênese, os milagres e as predições” liga-se aos capítulos II, III e IV do Livro I, e capítulos IX, X, e XI do Livro II, assim como as partes dos capítulos do Livro III que cuidam dos problemas genésicos e da evolução física da Terra. Possui sentido amplo, pois abrange ao mesmo tempo as questões de formação e do desenvolvimento do globo terrestre, e as concernentes a passagens evangélicas e escriturísticas. Ademais, apresenta no seu Capítulo I, denominado “Caracteres da revelação espírita” um retrato profundo e esclarecedor do Espiritismo.

5º) Os pequenos livros introdutórios ao estudo da doutrina, “O Principiante Espírita” e “O que é o Espiritismo”, que não se incluem propriamente na codificação, também se acham vinculados ao “Livro dos Espíritos”, pois decorrem da “Introdução” e dos “Prolegômenos”.

A codificação se apresenta, pois, como um todo homogêneo e consequente.

Todas as aludidas obras que compõem a codificação foram ampliadas por Kardec depois das suas primeiras edições, sempre sob assistência e orientação dos Espíritos.

 O Codificador

Foi em Lião, França, no dia 3 de outubro de 1804, de tradicional família, que nasceu Denizard Hippolyte Léon Rivail, filho de Jean Baptiste Antoine Rivail, magistrado e Jeanne Duhamel, sua esposa (assim consta em sua certidão de nascimento).

Em Lião, Denizard fez seus primeiros estudos e completou a sua bagagem escolar na cidade de Yverdun, Suiça, com o famoso pedagogo Pestallozzi, do qual, em pouco tempo, fez dos mais sábios alunos colaborador eficiente e dedicado.

Mais tarde Denizard bacharelou-se em Letras e Ciências. Insigne linguista, além do francês, falava corretamente inglês, italiano, alemão, espanhol e holandês.

Dois anos após ser dispensado do serviço militar, fundou em Paris uma escola idêntica à de Yverdun que, por razões financeiras, teve vida efêmera. Sem desanimar, passou a cuidar da contabilidade de três firmas e, findo o seu dia, esse incansável trabalhador aproveitava a noite para escrever gramáticas e aritméticas, livros para estudos pedagógicos superiores, além de traduzir obras inglesas e alemãs. Organizou, em sua residência, cursos gratuitos de química, física, astronomia e anatomia, de 1835 a 1840.

Membro de inúmeras Sociedades de Sábios, especialmente da Academia Real de Arras, que lhe premiou por concurso uma obra pedagógica, em 1831.

Em 1849 encontramos o Sr. Rivail como professor no Liceu Polimático, lecionando nas cadeiras de Fisiologia, Astronomia, Química e Física.

Depreende-se, portanto, que o Sr. Rivail estava magnificamente bem preparado para a espinhosa missão que viria desempenhar e tornar triunfante. Ostentava um nome conhecido e acatado, suas obras merecidamente louvadas, muito antes de imortalizar o nome de Allan Kardec.

Rivail e os fenômenos espíritas

Em 1854 foi que o Sr. Rivail, pela primeira vez, ouviu falar nas mesas girantes. Quem lhe transmitiu informações a respeito de tal fenômeno foi o magnetizador Sr. Fortier, com quem estabelecera relações, em virtude de seus estudos sobre o Magnetismo. Um dia, o Sr. Fortier lhe disse: “Eis o que é bem mais extraordinário: não apenas se faz girar uma mesa, como também se consegue fazê-la falar. Pergunta-se, e ela responde”.

–            Quanto a isso, replicou o Sr. Rivail, é outra coisa: eu crerei quando vir, e quando conseguirem provar-me que uma mesa dispõe de cérebro para pensar, nervo para sentir, e que se pode tornar sonâmbula, até que isso se dê, dê-me permissão de não encarar nisso senão uma fábula para provocar o sono.

Eis, pois, o estado de espírito do Sr. Rivail, ao tomar conhecimento, de início, dos aludidos fenômenos. Não negava nada por prevenção, mas exigia provas e queria ver e observar para acreditar ou não.

Até aqui, não falamos senão do Sr. Rivail, professor competentíssimo e autor famoso de obras pedagógicas. Contudo, no período de sua vida que vai de 1854 a 1856, um novo horizonte se descortina para esse pensador profundo, para esse percuciente observador. O nome Rivail, então, se obscurece, e cede lugar ao de Allan Kardec, que a fama espalhará por todas as partes do planeta.

O trecho que se segue, de autoria do próprio Kardec, revela, com clareza, as suas inquietações iniciais e hesitações:

Encontrava-me, portanto, no ciclo de um fato ignoto, contrário, aparentemente, às leis da Natureza e que minha razão não aceitava. Não tinha ainda visto nem observado nada; experiências procedidas em presença de pessoas honradas e dignas de fé firmavam-me na possibilidade de efeito meramente material, porém a idéia de uma “mesa falante” não cabia ainda no meu cérebro”.

“No ano seguinte,- no começo de 1855 – encontrei o Sr. Carlotti, amigo de há vinte e cinco anos, que falou sobre esses fenômenos por mais de uma hora, com o entusiasmo que ele emprestava a todas as idéias novas. O Sr. Carlotti era corso de origem, natureza ardente energética, distinguira sempre eu, nele, as qualidades formadoras de grande e bela alma, mas não confiava na sua exaltação. Foi ele o primeiro que me falou da intervenção dos Espíritos e narrou-me tanto coisas extraordinárias que, em vez de me convencerem, fizeram crescer as minhas dúvidas. – Você virá a ser, um dia, dos nossos – disse ele. – Não digo que não, respondi-lhe. Vê-lo-emos mais tarde”

“Depois de algum tempo, pelo mês de maio de 1855, estive na casa da sonâmbula Sra. Roger, com o Sr. Fortier, seu magnetizador. Encontrei ali o Sr. Pâtier e a Sra. Plainemaison, que me falaram desses fenômenos no mesmo sentido que usara o Sr. Carlotti, porém com outro tom. O Sr. Pâtier era funcionário público, de idade avançada, belíssima instrução, de caráter grave, frio e ponderado; sua linguagem calma, destituída de qualquer entusiasmo, causou-me funda impressão e, quando me endereçou o convite de assistir às experiências que se faziam em casa da Sra. Plainemaison, aceitei solicitamente. A entrevista ficou assentada para a terça feira (Kardec não mencionou o dia) de maio, às 8 horas da noite”.

“Foi aí que, pela primeira vez, pude testemunhar o fenômeno das mesas girantes, que pulavam e corriam, e isso em tais condições que não era possível nenhuma dúvida”.

“Assisti, aí, também, a alguns ensaios muito imperfeitos de escrita mediúnica em uma ardósia, contando-se com o auxílio de uma cesta, à qual foi adaptada uma haste inclinada, de madeira, para comunicações escritas (ou um lápis e um papel) para esse fim.”

Em uma das sessões da Sra. Plainemaison Rivail travou  conhecimento com a família Baudin, sendo convidado a assistir às sessões semanais realizadas em sua residência, às quais foi, a partir de então, muito assíduo.

A respeito das sessões realizadas na residência do Sr. Baudin, Rivail teceu os comentários que se seguem:

“Aí foi que iniciei os meus estudos sérios em Espiritismo, menos ainda devido às revelações do que pelas observações. Sujeitei essa nova ciência, como o fazia tudo, ao método da experimentação: jamais formulei teorias preconcebidas; observava acuradamente, comparava, tirava consequências; procurava, pelos efeitos, atingir as causas, por meio de dedução, pelo encadear lógico dos fatos, não aceitando como válida uma explicação a não ser quando ela possa resolver as dificuldades da questão. Procedi sempre assim em meus trabalhos anteriores, desde os meus quinze e dezesseis anos. Aprendi, desde o início, a gravidade da exploração que ia realizar. Percebi nesses fenômenos a chave do problema tão obscuro e tão discutido do passado e do futuro, a solução que em toda a minha vida andava procurado; em uma palavra: era uma total reviravolta nas idéias e nas crenças; necessário, pois, era agir circunspecta e não levianamente, ser positivista e não idealista, para não permitir que as paixões me arrastassem”.

“Das primeiras conclusões de minhas observações foi constatar que os espíritos, sendo apenas as almas dos homens, não possuíam nem a soberana sabedoria nem a soberana ciência; seu saber era adstrito ao grau de sua evolução, e que a opinião que emitissem tinha apenas o valor de uma opinião pessoal. Esta verdade, desde o início reconhecida, evitou-me o grave obstáculo de acreditar na sua infalibilidade e defendeu-me de formular teorias antecipadas baseadas na opinião de um só ou de alguns”.

“Agi, portanto, em relação aos espíritos, como o teria feito com os homens: para mim, foram, desde o menor até o mais elevado, meios de obter informes, e não reveladores predestinados

De início o Sr. Rivail, em vez de ser entusiasta das manifestações espíritas, mostrava-se tomado por outras preocupações e quase as abandonou, coisa que teria feito, não fossem os insistentes pedidos de figuras renomadas da sociedade parisienses: Srs. Carlotti, René Taillandier, membro da Academia de Ciências, Sardou, pai e filho, este Pictorien , dramaturgo e Didier, editor, que, durante cinco anos vinham acompanhando o estudo de tais fenômenos e haviam compilado cinquenta cadernos de diferentes comunicações, que não conseguiam ordenar. Conhecedores das vastas e raras  aptidões do Sr. Rivail, esses senhores mandaram-lhe os cadernos, solicitando-lhe que deles tomasse conhecimento e os coordenasse.

Em virtude de outros trabalhos e considerando as falhas e obscuridades dessas comunicações Rivail, de início, resolveu não abraçar essa árdua empreitada, que, por certo, lhe tomaria muito tempo. Contudo, mudou de opinião após receber uma noite, por intermédio de um médium, a comunicação, toda pessoal, de seu Espírito protetor em que lhe dizia, de permeio a outras coisas, tê-lo conhecido em uma existência anterior, quando ao tempo dos Druidas, ambos viviam nas Gálias e ele, Rivail, usava, então, o nome de Allan Kardec e, como continuamente aumentava a amizade que lhe guardara, esse Espírito prometia auxiliá-lo na tarefa importantíssima a que ele era solicitado, e que com muita facilidade empreenderia.

O Sr. Rivail, portanto, entregou-se a obra: tomou os cadernos, anotou-os cuidadosamente. Depois de acurada leitura eliminou as repetições e ordenou em sua respectiva posição cada ditado, cada relatório de sessão; apontou as falhas a preencher, as obscuridades a aclarar e organizou o questionário para atingir esse resultado.

Bibliografia

Obras de Allan Kardec, todas publicadas pela LAKE: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, A Gênese, Caracteres da Revelação Espírita e O que é o Espiritismo;

Introdução ao Livro dos Espíritos, Editora LAKE, 1957, de José Herculano Pires;

O Consolador, Editora FEB, 1970, de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier;

Curso Dinâmico de Espiritismo, Editora J. Herculano Pires, 1991, de José Herculano Pires;

Doutrina Espírita no Tempo e no Espaço, Ed. Panorama Comunicações, 2000, de ª Merci Spada Borges;

Biografia de Allan Kardec, Ed. LAKE, 1972, de Henri Sausse.

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